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Autenticidade, simplicidade e amabilidade, o melhor que nos caracteriza

Sábado, 20.05.17

 

E o nosso Millennial musical da área do jazz foi reconhecido como um impulsionador e revitalizador da cultura portuguesa, assim como a irmã compositora, na divulgação da nossa música, da nossa língua e na nossa expressão e interacção.

Os dois irmãos e a RTP fizeram mais pela cultura este ano do que muitos produtores e agentes culturais, porque investiram na qualidade e profissionalismo, sem fogo de artifício. Valorizaram a autenticidade, a simplicidade, a amabilidade, o melhor que nos caracteriza. Identifiquei-me com esta forma de viver a música, com inteligência, respeito, alegria, afecto, emoção. E sabe bem ver, pela primeira vez, ser reconhecida essa forma de estar no mundo.    

  

Gostei de ver como, em apenas dois meses, o miúdo que desconhecíamos porque a rádio se tornou monocórdica e mimética, de colagens musicais próximas do plágio, abrindo-se raramente a novos músicos, já é europeu até à ásia central :), começa a ser sul-americano :) e esperem só os americanos ouvirem esta interpretação de Autumn in New York :)

 

 

 

Felizmente em Portugal começa a ultrapassar-se a ideia da cultura = arte só acessível a alguns, os cultos, os críticos, os entendidos, e sempre os mesmos :).

Mas ainda permanecem alguns equívocos, querem ver?

 

Alguns equívocos, em relação à cultura, que permanecem em Portugal:

 

- a cultura é tudo o que diz respeito à arte e às suas formas de expressão.

Na realidade, a cultura é muito mais ampla, é uma forma de olharmos para nós próprios, a nossa identidade, de olhar o outro, de olhar o mundo.

A forma como nos tratamos a nós próprios, como interagimos com os outros, como vivemos.

A cultura é também a forma como nos limitamos ou como nos animamos, como nos lamentamos ou dependemos de aprovação social ou como nos libertamos e autonomizamos.

 

- a cultura é aquele ministério que subsidia a actividade cultural e artística.

Para já, a arte não é para ser subsidiada, é para se investir nela. Subsidiar ou apoiar, sim, mas o acesso às actividades culturais e artísticas, não os agentes culturais.

O investimento nos agentes culturais faz-se hoje, e far-se-á cada vez mais no futuro, a partir de múltiplas fontes e múltiplas plataformas.

Já o acesso às actividades culturais, artísticas, tecnológicas e científicas, deve ser apoiado e garantido desde a introdução da criança à interacção social :)

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:55

Porque é que hoje as mulheres preferem homens mais novos? :)

Domingo, 09.04.17

 

 

 

Ouvi com interesse o programa "O Amor é" deste domingo: Ainda a diferença de idades numa relação. Foi abordada a questão do preconceito social quando se trata de uma mulher com um homem mais novo. :) A minha parte preferida foi a opinião de algumas mulheres sobre os homens da sua idade: tornam-se uns chatos. :) Misoginia, relação não igualitária, etc. E como os mais jovens têm outra forma de estar na vida e nas relações.

Já tinha pensado neste desencontro e afastamento de muitas mulheres com os homens da sua idade. Daí o meu interesse em ver o filme Mulheres do séc. XX. Quando o vi apresentado nos Óscares 2017 cheguei a pensar que era passado já no início do séc. XXI, só depois percebi que se passava no final dos anos 70. Vejam como algumas mulheres já estavam muito à frente da sua época e como anteciparam a cultura do séc. XXI: apreciar a vida, aprender, virar-se para o futuro.

Ora, com quem é que estas mulheres podem interagir?

Com mulheres que pensam de forma semelhante e com homens que pensam de forma semelhante. Acontece que esses homens são necessariamente mais novos. :)

 

Falta aos homens de uma certa idade a flexibilidade para olhar a vida e as relações como possibilidades em aberto. Falta-lhes a disponibilidade para simplificar, aprender, descobrir, virar-se para o futuro. A forma como olham as mulheres são formatadas e redutoras. No início são só falinhas mansas, depois o cenário que lhes apresentam é o seu mundo e o seu modo de ver a vida.

 

As mulheres hoje já não deviam preocupar-se com os preconceitos sociais. A vida é uma oportunidade breve e preciosa para respirar, trocar ideias, partilhar, aprender, reflectir, decidir. A alegria de viver é uma possibilidade. A harmonia é uma possibilidade. A amabilidade é uma possibilidade.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:20

Viagem no tempo com o Inspector George Gently

Sábado, 03.09.16

 

Cá volto eu às séries inglesas. Novamente com um inspector da polícia. E desta vez nos anos 60.

Como criança nos anos 60, assimilei apenas o lado bom dessa década, a música e a roupa. A alegria e a frescura de todos os inícios, é o que me lembram os coloridos anos 60.

O inspector George Gently vem-nos lembrar o lado sombrio dessa década. A situação das mulheres, por exemplo, a vulnerabilidade das crianças, a violência juvenil, as drogas, a desconfiança entre comunidades, o racismo. 

 

Gently, tal como o seu nome, é uma personagem amável e compassiva com os agredidos e corajoso e implacável com os agressores. É um homem exigente consigo próprio e com os outros, um homem de valores que procura transmitir ao seu aprendiz, o irreverente John Bacchus. Será através do boxe que pratica desde o tempo de jovem soldado, que demonstra ao jovem o respeito por si próprio e pelos outros, mesmo os adversários. A resposta à provocação de que, com a sua idade, se deveria dedicar à pesca, será pô-lo, gentilmente, K.O.

 

A personagem Gently surge-nos com um modelo de adulto responsável, que conheceu o sofrimento na guerra e na vida pessoal com a morte da mulher, mas que não desarma. Tem um propósito que abraça de forma tranquila, sem dramatismo. É com essa gentileza que lida com o lado B da vida.

 

Mas a série não me impressiona apenas pelas personagens e pelo guião. O cenário e os adereços estão perfeitos. A atmosfera da época. E a música é fabulosa. 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:05

2013 blogosférico nacional: a amabilidade fica connosco, mesmo depois da partida de quem a cultiva

Domingo, 27.01.13

 

Está uma pessoa desligada da blogosfera por duas semanas e quando regressa já nada é igual. Descobri agora, ao espreitar o Delito de Opinião, que o João Carvalho partiu. A blogosfera nacional perdeu um blogger, amável e bem-humorado, que cultivava a cultura da amabilidade.


A amabilidade é o respeito por si próprio e pelos outros, é uma cultura que se bebe na infância e se cultiva ao longo de um percurso.

A amabilidade é alegre e divertida, mesmo quando as adversidades surgem nesse percurso.

A amabilidade é uma qualidade rara e magnífica, tão magnífica que fica com todos os que com ela conviveram, mesmo depois da partida. Tão magnífica, que fica também com os que apenas a sentiram através das respostas a comentários em posts de um blogue.


Li este post do Pedro Correia como se se tratasse de uma descrição de um filme, falava de uma longa amizade, de adversidades, de coragem, da partida de um amigo.

Sempre imaginarei o João a viajar de carro, num daqueles carros de colecção, a comentar casas estranhas e erros gramaticais, e a festejar os anos dos amigos...


Aqui ao lado fica a ligação a algumas das suas séries mais divertidas e instrutivas, porque são coisas essenciais.


 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:44








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